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A dinastia dos viriatos

in Poesia
16. 11. 24

dinastiaviriato

Recebemos do nosso colaborador Asdrúbal Mil-Folhas mais um poema, alusivo desta vez a uma carta de bajulação e de servilismo, escrita e assinada por um Viriato.

Como é habitual deste nosso colaborador, alguns poemas tentam de uma forma sarcástica e anedótica, expor algum do ridículo e do endeusamento, com que alguns seguidistas de Arnaldo Matias de Matos o mimoseiam.

A dinastia dos viriatos

I
A cidade de Viseu está alarmada
Com tamanho desiderato!
Pois pensava que era o único
Afinal havia mais um Viriato!

II
Dos altos Montes Hermínios
Não confundam o herói lusitano!
Agora existem para aí uns clones
Com um grande estofo puritano!

III
Vêm em defesa do “educador”
E do seu partido “operário”!
Publicando prosa com clamor
Só falta o discurso funerário!

IV
No tal pasquim apareceu
Um primeiro e escondido Viriato!
A moda do nome entrou tão bem
Como o pezinho no sapato!

V
Como os mais atentos observam
Estes discursos revelam idolatria!
É o Viriato um e o Viriato dois
Gaita, vem aí mais uma dinastia!

VI
Este não vem dos Montes Hermínios
Mas de um tal Maciço Central!
Carradas de bajulice e servidão
Não fazem dele herói imortal

VII
Acusa os antigos militantes
De inúteis, cobardes e traidores!
Não fazendo nada no partido
Agora descobriu outros amores!

VIII
Este revolucionário de pacotilha
Pretende agora, tudo amedrontar!
Nos anos anteriores ao golpe de Outubro
Nunca o vimos com vontade de trabalhar!

IX
Diz esta alminha “pensadora”
Com um discurso tão amoroso!
Que os “maus da fita” são oportunistas
Só o “bom” do Arnaldo, é fervoroso!

X
Só a verdade é revolucionária
Dizem os verdadeiros comunistas!
Quando se descobrir a verdade
Veremos quem são os oportunistas!

Asdrúbal Mil-Folhas

Director: Carlos Fidalgo - carlos.fidalgo.10@sapo.pt