banner

O desaparecimento do congresso extraordinário

in Poesia
16. 05. 04

O tal congresso desapareceu

E colhia a nossa simpatia!

Coincidência do 1º de Maio

Que terrível ironia!

 

Foi dito há uns meses

Com toda a sobranceria!

Faça-se um congresso

Da noite pró dia!

 

Coitados dos poucos militantes

Que existiam nessa altura

Clamavam titubeantes

Mas que grande tortura!

 

O “chefe” supremo gritou

Arnalditos, não quero atrasos!

Eu cumpro sempre a palavra

Quero o congresso dentro dos prazos!

 

Tal histeria ocorreu na sede

Com toda a gente a gritar!

Fazemos o que Arnaldo nos pede

Ó ele, manda-nos castrar!

 

Foi uma azáfama estonteante

Naquela sede central!

Gritava o Álvaro pujante

Vamos estudar “O Capital”

 

Temos que estudar a dialéctica

Porque não somos belicistas!

Senão o Arnaldo ainda nos chama

Cambada de liquidacionistas!

 

Mobilizados estavam os “camaradas”

Para encontrar o local ideal!

Queriam todas as soluções esgotadas

Não esperavam o cancelamento final!

 

Desgostoso, o frustrado Arnaldito

Barafustou com todos, sem excepção!

Logo afirmou a pés juntos

Chiça, assim não há revolução!

 

Queria eu um congresso

Que ficasse na história!

Para comemorar o meu regresso 

E correr com o resto da escória!

 

Precavidos vamos estar

Contra quem nos finte!

Para não ficarem a falar

Temos congresso para 2020!

 

Asdrúbal Mil-Folhas

Director: Carlos Fidalgo - carlos.fidalgo.10@sapo.pt