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Arnaldo o “Grande Educador”

in Poesia
16. 05. 15

Chamo-me Arnaldo às vezes
Outras nem por isso!
Também me chamo Espártaco
Que parece nome de chouriço!

Também me chamo Arnaldo, o burguês
De cognome, “o Educador”!
Para alguns, sou um “herói”
Para a maioria, sou um estupor!

Pseudónimos são comigo
Sou um ás na escrita!
Se eu escrevesse a verdade
Arranjava-a bem bonita!

Quando almoço na Tia Matilde
Vou satisfazer o palato!
Por vezes para disfarçar
Também assino como Viriato!

Estive fora do partido 33 anos
A cuidar da minha vidinha!
A subvenção caiu-me do céu
Mas que grande sorte a minha!

Apropriei-me do MRPP
À hora do café
Suspendi o Secretário-Geral
E o restante Comité

Da chamada classe operária
Sou o grande “educador”!
Dou na cabeça aos meus meninos
Instalo neles o terror!

Sou uma cabecinha pensadora
Ando muito atarefado!
Às vezes já não sei o que digo
Estou todo baralhado!

O stress ultimamente
Não me dá descanso um bocado!
Tenho de seguir o conselho
Caraças, vou ser internado!

Eu puxo-te as orelhas muitas vezes,
Mas Paisana, eu gosto de ti!
Só não gosto do Expresso
E dos gajos do jornal i!

Tive que pôr em sentido
Os meninos das redes sociais!
Ralhei-lhes no Luta Popular
Para não fazer queixa aos pais! 

Estou deveras aborrecido
Dói-me a cabeça e não passa!
Os gajos descobrem a verdade
E eu ainda fico sem a massa!

Os meus meninos são um espanto
Andamos um pouco ao Deus dará!
Foram descobrir uns papéis
“Fabricados” no Panamá!

Estou a pressentir uma crise
Que ainda reduz tudo a pó!
Às tantas, o que me acontece
É ficar orgulhosamente só!

Asdrúbal Mil-Folhas

Director: Carlos Fidalgo - carlos.fidalgo.10@sapo.pt