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Eleições dos Açores

16. 11. 12

Prezados Camaradas,

No dia 17 de Outubro de 2016, após as eleições regionais dos Açores, no Luta Popular Online, sítio oficial do partido para a emissão de comunicados, Arnaldo Matos (pelo menos é a assinatura que consta) faz uma análise mais aprofundada dos resultados obtidos.

Correndo o risco de vos aborrecer, ainda assim arrisco a fazer a minha interpretação do que foi escrito por Arnaldo Matos e os dados constantes no sítio da internet da Comissão Nacional de Eleições das duas eleições regionais em causa, 2012 e 2016.

Primeiramente, Arnaldo Matos afirma que o PCTP/MRPP (ou PCPT/MRPP?) não concorreu às eleições para eleger nenhum deputado.

Primeiro, os partidos não concorrem a eleições, apresentam-se, porque as eleições não são nenhum concurso televisivo. Não há partidos em primeiro ou segundo lugar, mas sim representação que por vezes originam soluções governativas conforme acordos (a exemplo o Governo da República que se formou nas últimas eleições). Segundo, de realçar que o principal objectivo de qualquer partido político, novo ou velho, direita ou esquerda, é alcançar o poder. Ora se “concorre” pelo valor de participar não será necessário gastar dezenas de milhares de euros para não obter resultado. O trabalho de organização das classes trabalhadoras pode (e deve) ser feito sem pretexto de eleições, mais eficaz e com custos mais reduzidos.

Para a preparação da campanha, afirma Arnaldo Matos, foram destacados do Continente 4 camaradas inicialmente e que depois mais 3 se juntaram para a campanha, é falso. Como aqui relatámos foram convocadas 6 pessoas, talvez ficando depois apenas 5 porque o Horácio Coimbra desertou a meio do caminho. Nas eleições de 2012 foi destacado apenas um camarada do Continente, e como veremos mais adiante, no comparativo com os resultados obtidos no presente ano, foram mais eficazes.

Mais uma vez Arnaldo Matos não sabe fazer contas, ou não quer saber fazer, porque afirma no LP online que, “No dia do sufrágio, mantivemos os 0,3% do total dos votos que havíamos obtido em 2012, mas agora alargados a 90% do eleitorado.

Arnaldo Matos atira-nos areia para os olhos afirmando que num universo maior atinge a mesma percentagem, 0.32%. É verdade que o partido atingiu essa percentagem, mas o número de votos foi de 299 em 7 círculos eleitorais, contra 343 em 3 círculos eleitorais em 2012. Isto é, com mais recursos humanos, um universo de votantes muito superior, sob a batuta de Arnaldo Matos, o PCTP/MRPP (ou PCPT/MRPP?) consegue menos 44 votos que em 2012.

Fazendo um simples rácio do número de inscritos nos cadernos eleitorais da região autónoma dos Açores (228 162 em 2016 e 225 127 em 2012) com o número de votos do PCTP/MRPP (ou PCPT/MRPP?) nas duas eleições, concluímos com matemática simples que em 2016 o partido precisou de 763,08 eleitores para obter um voto e que em 2012 necessitava de 656,34 eleitores para obter um voto.

Assim podemos concluir que os apregoados bons resultados nas eleições dos Açores não passam de mais uma mentira, porque com menos meios humanos, afectação de recursos financeiros e universo eleitoral, os resultados foram ainda assim superiores em 2012.

De referir ainda que Arnaldo Matos afirma com toda a naturalidade que houve círculos eleitorais onde houve menos votos que candidatos, mostrando à nascença o grau de comprometimento dos indivíduos que integraram as listas (ou eram muitos do Continente?) para formaram o comité dos Açores.

Abaixo apresentamos os gráficos que suportam o que acima referimos. Dados que estão publicamente disponíveis no sítio da internet da Comissão Nacional de Eleições.

Aqui deixamos uma palavra de apreço ao Camarada Pedro Pacheco, que alheio a esta tramóia toda de Arnaldo Matos, continua a dar a cara pelo partido no arquipélago dos Açores.

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Joaquim Mineiro

Director: Carlos Fidalgo - carlos.fidalgo.10@sapo.pt