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Mortes que revoltam e uma contradição de morte

16. 09. 25

diaboanjoam

Mortes que revoltam e uma contradição de morte

Com o título “Mortes que revoltam: Quem são os responsáveis?” publicou há dias o Luta Popular um artigo de autoria de Arnaldo Matos, sobre a morte de dois instruendos do centésimo vigésimo sétimo curso de comandos que decorreu no campo militar de Alcochete. Vai o autor imputando responsabilidades pelos trágicos falecimentos dos soldados ao Presidente da República, ao Ministro da Defesa, ao anterior governo do PSD/CDS, a todas as chefias militares e aos responsáveis pela formação do curso de comandos. Manifesta-se indignado com a forma como os instruendos foram tratados e apoia a revolta que estes acontecimentos provocaram entre os militares.

No final do artigo, e em contraponto `a posição do Bloco de Esquerda que exigiu a extinção do regimento de comandos, Arnaldo Matos defendeu, e passo a citar :”a extinção das Forças Armadas permanentes profissionais, porque são hoje forças mercenárias, pagas não para servir o povo português mas para lutar contra ele…e continua : Os comandos e demais tropas de terra, a marinha e a força aérea são hoje tropas mercenárias ao serviço do imperialismo americano, francês e alemão em África e no Médio Oriente” … fim de citação.

Chegados aqui, torna-se difícil compreender todo o “choradinho” sobre a morte destes militares que é produzido ao longo do artigo, quando estes não seriam afinal mais que mercenários prontos a lutar contra o próprio povo. Poderão alguns leitores tentar encontrar uma explicação para esta contradição distinguindo responsabilidades entre as chefias militares e os seus subordinados, lembrando até que mesmo nos tempos do exército colonial fascista o MRPP defendia que os soldados eram filhos do povo…

No entanto quem prestou alguma atenção aos recentes escritos de Arnaldo Matos lembrar-se-á que este considerou, que até as vítimas dos ataques terroristas no Bataclan ou nas esplanadas de Paris não morreram inocentes porque seriam apoiantes do governo imperialista francês. Se nesta guerra contra o imperialismo, a morte de civis desarmados se justifica, como explicar então o apoio aos militares falecidos que voluntariamente incorporavam as nossas forças armadas “mercenárias”…

O radicalismo e o dogmatismo ideológico de Arnaldo Matos provocam estas contradições insanáveis, que se vão multiplicando à medida que a diarreia verbal por si produzida vai sendo editada nas páginas do Luta Popular.
E no entanto este não é o seu pior defeito…

Raul Albuquerque

Director: Carlos Fidalgo - carlos.fidalgo.10@sapo.pt