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Ópio do povo e o culto da Personalidade

16. 06. 21

Marx afirmava que as religiões tinham tendência a desresponsabilizar os actos cometidos pelos homens, bem como em legitimar poderes dos homens sobre os homens. É sobejamente conhecida a sua afirmação, “a religião é o ópio do povo”.

Há diversas interpretações sobre a mensagem que Marx tentou transmitir. Para uns “a religião é viciante” e para outros “a religião leva-nos para um estado de delírio fora da realidade onde se permanece quase eternamente”. A mensagem que Marx nos deixou é mais simples, apenas queria ~transmitir que a religião é um analgésico. Marx viveu no século XIX, altura que o ópio era um analgésico de uso muito frequente. Sendo assim a religião é nada mais nada menos que um “analgésico” que pretende aliviar as dores/sofrimento da classe operária perante as injustiças praticadas diariamente, e permitir à classe burguesa pedir perdão pelos crimes que comete, e assim adquirir um “alívio moral”.

Outro contributo de Marx foi deixado por Marx “através de Nikita Khrushchov, quando este no “discurso secreto” falou pela primeira vez em culto da personalidade.

Marx já tinha referido este termo numa carta, mas com o nome de culto do individuo, onde o compara com o fenómeno da apoteose.

Para Marx, apoteose consistia em tornar divino um individuo,O endeusar ou edificar uma pessoa. Por extensão Marx considerava que apoteose era quando exageradamente se atribuía a alguém honrarias ou qualidade que o individuo não possuía de todo. No teatro, a apoteose corresponde ao final de uma cena que decorre de maneira espectacular.

Estas duas situações não surgem ao acaso, mas olhando hoje para o PCTP/MRPP percebemos que de marxista há muito pouco.

Ora vejamos, Arnaldo Matos tenta criar uma quase religião dentro do partido, tendo meia dúzia de discípulos, que agem em conformidade com a vontade do “deus” sem questionamentos. Agem e defendem-no de forma cega, porque dessa forma aliviam a dor de quem nunca contribuiu, nem sequer a colar um cartaz ou 1 cêntimo, nos últimos 30 anos para o desenvolvimento do partido (à excepção do Carlos Paisana, mas esse estar ou não vai dar ao mesmo porque a alergia não permite trabalhar). Mesmo depois de criticarem os camaradas (que não tiveram alternativa a não ser criticar o partido publicamente para o tentar salvar do precipício) de ofenderem as “pessoas fiéis ao partido”, é porque não sabem ler, nunca leram ou não queram ler o que é escrito no Luta Popular.

No que diz respeito à “cultura da personalidade” isto hoje não é nada mais, nada menos, exactamente aquilo que Marx um dia escreveu. Arnaldo Matos é hoje, apenas para meia dúzia de indivíduos, e sempre foi, um individuo em que as suas qualidades são definitivamente exageradas, recebeu (mesmo após abandonar o partido em 1982 continuou a receber) honrarias (carros de luxo alugados, Gambrinus, Tia Matilde, etc.) e qualidades que na verdade nunca teve. Para ser um final de cena que decorre de maneira espectacular, como no teatro, só falta mesmo Arnaldo Matos abandonar o partido de uma vez por todas e levar atrás os seus companheiros “distraídos” e nada acríticos.

Justificam-se dizendo que “os que hoje criticam outrora também apoiaram”. Pois é, mas todos temos o direito de errar e de reformular as nossas opiniões. Agora não reconhecer um erro tão evidente e criticar o que se faz, quando o que apoiam na verdade pior fazem, está muito próximo da falta de inteligência.

 

Nota (para a multidão de 4 pessoas que suporta Arnaldo Matos): Marx condenava fortemente a cultura da personalidade, porque a mesma é contrária à prevalência do colectivo. Ainda podem reflectir sobre o assunto, lendo…Marx!  

Director: Carlos Fidalgo - carlos.fidalgo.10@sapo.pt