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O Meu Grito de Revolta!

16. 06. 30

Devido ao volume de notícias chegadas aqui à redacção, de denúncia e de clarificação da situação vivida nestes dias pelo PCTP/MRPP, resolvi quanto antes, publicar mais um texto dentro desta onda de revolta que assola o partido e que tem feito com que alguns militantes sintam seu dever, dar o seu contributo no sentido de esclarecer toda esta situação, que tem vindo a destruir progressivamente o PCTP/MRPP.

Carlos Fidalgo

 

Parem! Pensem! Leiam e decidam-se!

Como alguns sabem, sou militante do PCTP/MRPP, estando neste momento auto-suspenso, mas não é por causa desta situação que deixei de pensar e reflectir em tudo o que tem acontecido desde Outubro de 2015.

Não vou aqui fazer a apologia do que é que fiz, ou da colaboração mais ou menos assídua, que sempre prestei em nome da REVOLUÇÃO, da mudança desta sociedade capitalista e exploradora e sempre pondo em primeiro lugar as massas no seu todo, as exploradas bem entendido, e em particular os operários e demais trabalhadores.

Este tipo de sociedade em que actualmente sobrevivemos, não me agrada!

E como nunca me agradou, tentei há vários anos participar, para que o fim dela ocorresse o mais rápido possível.

Dentro das forças políticas existentes, a que se destacava, para mim, era o então MRPP (Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado) que, principalmente nas décadas de 70 e 80 esteve sempre à frente das várias lutas travadas pelos trabalhadores e dos mais diferentes sectores que constituem a nossa sociedade.

Ser militante de um Partido ou de um Movimento que professa a ideologia Comunista Marxista-Leninista, não é fácil, além do mais, com todos os comportamentos que são atribuídos àqueles que se intitulam defensores da classe operária, mas na prática nunca o conseguiram aliar à teoria.

Por estes pequenos apontamentos aqui referidos, se deduz muito naturalmente que, para se implantar junto das massas e convencê-las de que a verdadeira vanguarda que as levará à vitória final contra o capitalismo e o imperialismo se chama Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses/Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (PCTP/MRPP), há um trabalho imenso de luta e de confiança em que todos aqueles que são explorados tomem consciência da sua posição e da sua classe.

Não se pode prever quando as condições serão propícias à Revolução, mas pode-se e deve-se lutar para que isso aconteça, mesmo levando gerações a concretizar.

É este trabalho que o PCTP/MRPP se dispôs a levar por diante, encetando um trabalho, não isento de falhas e talvez de pequenos desvios da sua linha orientadora, mas, paulatinamente, indo ao encontro do anseio das massas.

Quando existe um cerco da parte do capital, dentro da guerra de classes, tudo é permitido para que a voz dos explorados se faça ouvir pelos seus irmãos de classe e por todos os meios ao seu alcance.

Dentro desta lógica, é assim que o Partido decide concorrer às eleições burguesas, para que a sua voz se faça ouvir mais insistentemente e se possa alcançar um púlpito, onde as ideias para uma nova sociedade, estejam ao alcance da maior quantidade possível de trabalhadores.

Não se pense que o Partido tinha ilusões, nem qualquer militante, que esta era a via para a Revolução, mas gradualmente por este caminho e pela distribuição de propaganda junto dos operários (ou dos “novos operários”, já que o operariado há muito que sofreu uma redução por via do fecho das fábricas, ou da sua extinção) ia propondo medidas claras e objectivas e incentivando as massas de que este caminho que temos trilhado, nestes anos desde 1974 até agora, não era o caminho da sua emancipação nem do fim da sua exploração.

Mesmo não concordando com tudo o que era proposto pelo Partido, a minha militância sempre foi no sentido de divulgar e esclarecer, aquilo a que o PCTP/MRPP na sua linha orientadora, se propunha fazer quanto à mudança desta sociedade para uma sociedade sem classes.

É dentro deste trabalho e principalmente junto dos poderes autárquicos, que o partido se vai afirmando (veja-se a eleição para alguns órgãos autárquicos) e vai ganhando a confiança necessária, para passar uma mensagem da sua linha política e das medidas adequadas num contexto nacional, as quais, consideradas pela burguesia de medidas radicais e impossíveis de concretizar.

E é perante um resultado menos bom (a não eleição de qualquer elemento do partido para a Assembleia da República), que um dos antigos fundadores decide, passando por cima de toda a estrutura partidária e sem consultar os seus militantes, apoderar-se do partido e por imposição, devido à sua influência sempre presente e nunca contestada, suspender a maioria dos membros do Comité Central, alegando que seriam eles os culpados do desvio da linha orientadora do partido, com o beneplácito de alguns seguidistas e oportunistas, que viram nesta atitude indigna de um Partido Comunista Marxista-Leninista, onde por norma se deve travar uma luta ideológica e aberta a todos os seus militantes, um bom motivo para surgirem após alguns anos de afastamento, envoltos no nevoeiro do seu oportunismo.

Porque fez isto Arnaldo Matos?

Foi para impôr uma linha, como ele diz, que refundasse o verdadeiro Partido Comunista e Operário, ou foi para retirar do seu caminho, quem lhe pudesse fazer frente e retirar protagonismo que a principal figura, António Garcia Pereira estava a conseguir em nome do PCTP/MRPP?

Não é por acaso que o “afundador” do partido vem para o órgão oficial do partido, denegrir e enxovalhar todos aqueles que trabalharam em prol do mesmo, nestes anos todos (mais precisamente 33 anos) em que ele se manteve na sombra sem manifestar qualquer ímpeto revolucionário de se reintegrar no partido e assumir a sua liderança.

Premeditação rima por acaso com subvenção, mas longe de mim supor que um comunista marxista-leninista tenha no seu horizonte, a obtenção do capital sem ser por meio da venda da sua força de trabalho!

Mas onde está o Partido Comunista Operário?

Onde está o 1º Congresso Extraordinário para a refundação do partido?

Existe subvenção, logo existe dinheiro para ser empregue nos meios necessários à Revolução! Onde estão os cartazes grandes e pequenos? Onde está a propaganda para ser entregue aos operários e demais trabalhadores?

Só existem operários no chamado “ Maciço Central”? E no resto do país?

Afinal quem serão os chamados liquidacionistas? Serão aqueles que saíram à força do Partido, ou os que ficaram?

Fazendo uma analogia, numa exploração mineira é retirado o metal precioso e deixada a escória, pois bem, neste partido ainda reside algum metal precioso que involuntariamente foi despejado juntamente com a escória, mas esta sem sombra de dúvida, só pode ser enterrada e voltar para o sítio de onde nunca devia ter saído!

A conversa dos liquidacionistas já não é virgem, já nos idos anos 70 do século passado, esta conversa também se espalhou dentro do partido.

A dialéctica do “educador” em relação àqueles que ele define como os “liquidacionistas”, teve o aval dos seguidistas, como não podia deixar de ser, vieram logo armados em donzelas profissionais da prostituição, quais meninas púdicas enaltecer o caminho “correcto” que estava a ser trilhado, caminho que se compagina (Ligar intimamente, Encadear; unir; enlaçar), e é neste enleio, neste encadear, nesta ligação íntima que, principalmente duas donzelas, entre alguns outros dissimulados, sobressaem no caminho do afundamento do PCTP/MRPP.

 

Um esteve desaparecido, de seu nome Horácio Coimbra, que saiu da bruma em que esteve envolto durante uma hibernação e que se auto-intitula uma “alminha” encorajadora, na obtenção de apoio dos operários, para a sua “causa”. Estes lacaios gostam tanto de contar a chamada “história da carochinha”, que esquecem-se que os militantes do Comité de Sintra, que não se autodenominaram, fizeram um trabalho durante anos que não é do conhecimento deste sujeito, visto ele ter-se mantido escondido e quietinho na sua toca!

O outro, mais conhecido, de seu nome Luís Júdice é a outra personagem da mais velha profissão do mundo, doutorado em dialéctica de trazer por casa e profissional da diarreia, gabarola quanto baste e “paradinho” quando era necessário realizar trabalho de agitação e propaganda, invocando qualquer contratempo para se esquivar ao trabalho partidário!

É claro que existem outros, que por variados motivos não têm a coragem de se definir e lutar por aquilo, creio eu, que acreditam. Uns dizem que estão no “limbo”, outros que agora só são simpatizantes, enfim, na linguagem popular é aquilo a que se diz: Não são carne, nem são peixe!

Mas quem ouve falar esta gentalha, sempre com a Revolução na boca e a dialéctica no bolso, alguns acham que representam uma classe operária, mas é só na teoria porque na prática trabalhar em prol da mesma, isso aí já fia mais fino, e neste partido quem é social nas palavras e fascista nos actos, só tem um nome, social-fascista!

Pois é com estas abéculas que o PCTP/MRPP vai retomar todo o trabalho feito durante estes anos?

Não me parece! Por isso, aqui deixo a minha frustração de todo um trabalho que foi mandado para o caixote do lixo expressa neste texto, para que aqueles que ainda se preocupam e querem trilhar o caminho da Revolução, leiam, pensem e decidam se querem unir o vosso grito de revolta a todos aqueles, que não querem a extinção do PARTIDO COMUNISTA DOS TRABALHADORES PORTUGUESES/MOVIMENTO REORGANIZATIVO DO PARTIDO DO PROLETARIADO!

VIVA O PARTIDO! 

 

 

José Mestre

Director: Carlos Fidalgo - carlos.fidalgo.10@sapo.pt